Corre no burgo o boato que neste blog se prejudica a imagem do principal estabelecimento de lazer e diversão da zona. Sei perfeitamente quais foram os posts que levaram a essas "erradas" conclusões e pensei apagá-los, depois comecei a pensar em apagar o blog e resolver assim o assunto. Depois fiquei quietinho e arranjei inspiração para vir com falinhas mansas "justificar-me" enquanto criador do blog.
Não custa muito reparar que os assuntos mencionados fazem parte do dia-a-dia da nossa terra, dizem respeito a toda a gente e inevitavelmente a este blog. Custa menos ainda perceber que qualquer texto publicado neste espaço é "assinado", por isso o autor está sempre implicado nas próprias palavras.
Tenho a consciência tranquila, mas quem não teve a oportunidade de ler o blog pode ser influenciável.
A partir de agora serei mais comedido nas minhas palavras. Sou o principal implicado pelo que se passa aqui, e não estou para ser visto como chibo ou como cabrão.
Vou começar a postar umas receitas de culinária e umas informações sobre a agricultura, à Antigo Regime...
terça-feira, 31 de janeiro de 2006
segunda-feira, 30 de janeiro de 2006
O dinheiro não vence a HONRA...
Meus amigos cá estou outra vez para o relatório desportivo do fim de semana.
Os nossos guerreiros deslocaram-se desta vez a um Concelho vizinho que marca presença no Campeonato através da equipa do Penamacor, equipa sem derrotas e com um apoio financeiro que digamos "algum é dos nossos impostos".
Numa tarde em que até a NEVE nos presenteou com a sua presença convém referir que fomos derrotados por 3pinguins amarelos a O(ZERO).
É na minha opinião uma merda o que se vê por estes campos do distrital, uma vergonha como é possível uma equipa em que bastava o ordenado do treinador e mais um jogador para sustentar a GRANDE EQUIPA DO GDV necessitar da ajuda dos pinguins para nos vencer.
Mais uma vez os nossos guerreiros apoiados pela nossa humilde e voluntariosa massa associativa que resistiu ao frio, á neve e a umas bocas dos palhaçitos lá da terra demonstrou que nem sempre o bom futebol e a seriedade vencem não abdicando nunca de lutar e honrar a camisola do GDV até ao apito final.
Um golo duma falta inexistente que só o pinguim-mor viu, a sorte de um autogolo que acontece e um terceiro golo em claro fora de jogo ditaram a derrota da nossa equipa que ao invés do adversário jogou futebol e preocupou-se pouco em dar porrada coisa que os portões azuis não deixaram de fazer.
O Pinguim assistia sem que nada fosse.
Venho por fim dar um abraço de aos nossos guerreiros e dizer-lhe que é com enorme orgulho que os vejo honrar a camisola do GDV.
Abraço e um agradecimento á Claque por mais uma demonstração de apoio e dedicação ao clube da nossa Aldeia.
Até pá semana
Os nossos guerreiros deslocaram-se desta vez a um Concelho vizinho que marca presença no Campeonato através da equipa do Penamacor, equipa sem derrotas e com um apoio financeiro que digamos "algum é dos nossos impostos".
Numa tarde em que até a NEVE nos presenteou com a sua presença convém referir que fomos derrotados por 3pinguins amarelos a O(ZERO).
É na minha opinião uma merda o que se vê por estes campos do distrital, uma vergonha como é possível uma equipa em que bastava o ordenado do treinador e mais um jogador para sustentar a GRANDE EQUIPA DO GDV necessitar da ajuda dos pinguins para nos vencer.
Mais uma vez os nossos guerreiros apoiados pela nossa humilde e voluntariosa massa associativa que resistiu ao frio, á neve e a umas bocas dos palhaçitos lá da terra demonstrou que nem sempre o bom futebol e a seriedade vencem não abdicando nunca de lutar e honrar a camisola do GDV até ao apito final.
Um golo duma falta inexistente que só o pinguim-mor viu, a sorte de um autogolo que acontece e um terceiro golo em claro fora de jogo ditaram a derrota da nossa equipa que ao invés do adversário jogou futebol e preocupou-se pouco em dar porrada coisa que os portões azuis não deixaram de fazer.
O Pinguim assistia sem que nada fosse.
Venho por fim dar um abraço de aos nossos guerreiros e dizer-lhe que é com enorme orgulho que os vejo honrar a camisola do GDV.
Abraço e um agradecimento á Claque por mais uma demonstração de apoio e dedicação ao clube da nossa Aldeia.
Até pá semana
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Futuro????????????
Desculpem mas parece que jeito jeito só tenho para falar de desporto.Como todos sabemos está prestes a ser inaugurado o Pavilhão Gimnodesportivo que vai servir os habitantes da nossa Freguesia mas que já começa a levantar muitas questões...
Como defensor de prioridades e necessidades este é um projecto que segundo o meu ponto de vista não subtitui e isso sim uma GRANDE NECESSIDADE que era a nova escola que os nossos putos precisam, mas o que está bonito está e isso é que traz votos e palmadinhas nas costas.
Esta foto ilustra aqueles herois a que noutro "post" me referi, mas que, ao que tudo indica a partir de Maio deixarão a nossa Ilustre e Nobre COLECTIVIDADE porque aquele que se intitula Deus anuncia que já não se vai recandidatar...o que dizer disto.
Com um pavilhão, com uma equipa a participar no Camp. Distrital e vir a público esperar que se diga "Vá lá não vás, fica por favor..." mas afinal não haverá outros com ideias, vontade e iniciativa para levar o GDV a bom porto e sem ter que ouvir nos cafés que se desviou isto, que só se fez aquilo porque os sócios não pagam....mas afinal somos ou não somos diferentes de todo o Concelho?
Venho pedir a todos os que são sócios para se unirem, vamos pagar as quotas e quando chegar a altura lá estaremos para a mudança e para evitar que os nossos putos não escolham caminhos já atrás referidos como prejudiciais á sua evolução como ser humano.
Aos que não são sócios o estrago fica em 1,00€ por mês o que acho que não é muito para ajudar o Desporto da tua Aldeia.
Caros amigos e simpatizantes do GDV estou com vontade de levar um novo projecto em diante e conto com todos vocês nem que seja só para me darem coragem porque sabe sempre bem ter a entrar pelo ouvido "Anda vai Puto tu consegues".
Para terminar enviar um abraço aos players da nossa equipa e a todos os que trabalham para levar o nome do GDV mais além.
Este Domingo 29/01/2006 jogo em Penamacor não faltem.
Abraço dos ULTRA SOVIET
Mai bom!

Aqui está!
Com tanta festa com temas gastos que se fazem por ai, aqui está uma verdadeira festa à altura do nosso Valverde!
Qual festa do litro ou do metro? Qual festa da caipirinha?
A festa do balde é que é!
Se não houver copos deste disponíveis no mercado sugiro que se usem os baldes de massa das obras. Sim esses que levam 25 litros. Devem ser mais ou menos iguais.
Além disso, depois de bem lavados vai dar ao mesmo.
Faço este post porque me parece que o blog foi tusa matinal.....
Enfim
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
A solução?

Esta questão toda bateu-me um bocado fundo, porque sou um gajo discreto e apologista do entendimento pela via verbal, e só eu sei quantas vezes me chamaram totó por causa disso. Não consigo defender um parvalhão só porque é da minha terra. Não gosto de fundamentalismos. Mas neste caso, chamar-me fundamentalista é a mesma coisa chamar racista à velhinha que é assaltada cinco vezes por pessoas de côr. É racismo... porque não se lhe pode chamar mais nada.
Posto isto, julgo que há duas formas de combater esta invasão.
A primeira, e mais utópica, é que a malta jovem de Valverde se una de uma vez por todas. Como se consegue isto? Não é trabalho nosso. É trabalho das instituições da nossa terra promover actividades "viradas para dentro" para que se construa uma identidade confortável para quem a enverga. Os escuteiros conseguiram isso durante muitos anos, hoje em dia não sei como estão as coisas porque me afastei há algum tempo. A Ajuval tem desempenhado funções importantes nessa àrea, mas nada se consegue de um dia para o outro. E que mais não seja apresenta o seu espaço como alternativa nos tempos de lazer, e como os próprios dizem, com toda a razão: "Só lá não vai quem não quer." A Junta de Freguesia poderá, eventualmente, contribuir para esta revolução social.
A segunda hipótese, e mais "Stallone", é tratar mal os invasores... Mas isto levanta problemas. Como se faz a distinção entre o trigo e o joio? Quem diz que um é digno "de entrar em nossa morada" e o outro não? Se vamos desatar à sopapada a tudo quanto nos chateia vamos acabar a pedir desculpas a um qualquer porque o gajo que ficou sem dentes era amigo dele... Merda da democracia!
A diferença pode ser feita a nível pessoal, nunca a nível colectivo. Eu não dou confiança a cromos, se não gosto de alguém não passo charuto e pronto, assunto encerrado. Mas também não consigo fazer com que o meu amigo deixe de falar com o amigo dele porque é um parvo. Eu também tenho amigos parvos, mas não o são quando estão na minha terra.
A verdade é que sempre me passeei pelo concelho em tudo quanto que eram festas e bares e nunca me tocaram porque o nome "Valverde" causa medo. Por isso é que os cromos arrebitam cachimbo por tudo e por nada, para provar que são machos o suficiente para armar confusão em Valverde e sair intacto.
O que me mói o juízo é saber que esta questão do saber estar, do ser educado, cosmopolita tem os dias contados... Porque a escumalha não se verga com palavras, e a estupidez só se cura em gerações.
A violência não é resposta, mas há-de vir a ser.
terça-feira, 24 de janeiro de 2006
O Que Mudou????

O que mudou?
Começar um texto com uma interrogação não faz muito o meu género, mas foi essa emblemática pergunta que retenho do Post do nosso amigo Tito.
Mas que raio mudou e transformou assim este nosso anteriormente pacato burgo?
Seria pretensioso da minha parte julgar-me capaz de responder a essa pergunta pertinente.
Acho, no entanto, urgente ser-mos capaz de, pelo menos, identificar a mudança e saber lidar com ela.
Não terei sido a melhor testemunha das mudanças da última década, pois por motivos profissionais estive afastado a quase totalidade desses anos mas vou tentar aqui dissecar aquilo que, imagino, mudou realmente.
O nosso Tito expôs, e em boa hora, a sua preocupação e desagrado pela presença desses estranhos que buscam as nossas ruas escuras como se de bairros de junkies se tratassem.
É verdade que esses estranhos que nem dos carros saem não vêm em nada ajudar a limpar as nossas nódoas, muito pelo contrário. Mas disso já falei e o Tito também.
É claro que a solução do desprezo é sempre uma opção a considerar mas todos sabemos que não irá evitar o regresso dos mesmos e o agravar futuro das nódoas.
Como não existe um Tide ou um Skip eficaz para estas coisas, o melhor a fazer é mesmo tentar perceber o que os leva a frequentar as nossas ruas e tentar encontrar uma solução para o problema.
Então mas o que mudou afinal?
Espero não correr o risco de más interpretações ao falar no estranhos e dar a ideia inicial que os nossos males vêm de gente de fora ou que as nossas nódoas foram criadas por esses mesmos estranhos. É claro que prezo o novo cosmopolitismo de Valverde, acho-lhe piada até e, como diz o Joãozinho, Valverde é bem capaz de estar na moda.
Pena é que talvez o esteja pelas razões erradas.
Esperando não ser mal interpretado, vou tentar expor na forma mais simples e resumida a minha cadeia de pensamentos sobre o assunto.
Há 10 anos, ou um pouco mais até, Valverde era de facto uma aldeia. Toda a gente se conhecia, as pessoas eram de facto identificadas pela sua alcunha ou local de residência. Valverde, pela proximidade do Fundão, vivia bastante recolhida sobre si própria, as pessoas eram bastante impermeáveis a tudo o que vinha de fora, quer fossem pessoas, quer fossem maneirismos ou modas. Eram conhecidos pela região como "Os Soviéticos" pela sua frontal adopção da "esquerda" do espectro político e, mais tarde, transformando a alcunha num sinónimo de arruaceiros que viviam no claustro intransponível que era a nossa Freguesia.
De facto, raras eram as pessoas que frequentavam outras aldeias ou mesmo o Fundão e o normal era, até, os Valverdenses casarem com Valverdenses.
Não sei se foi a democratização do automóvel que, gradualmente, veio mudar estes hábitos, mas o certo é que em menos de uma década, estes hábitos sofreram uma grande mudança. A juventude de Valverde começou a frequentar outras localidades e, acima de tudo, os bares e discotecas do Fundão, Covilhã e Castelo Branco. Em Valverde só existiam tascas onde as raparigas raramente punham os pés, em contrapartida, começavam a nascer bares nessas cidades como cogumelos. A escolha era clara. Paralelamente, as cidades começavam a crescer, atraindo cada vez mais pessoas das aldeias distantes.
Assim, Valverde foi ficando cada vez mais próximo do Fundão, deixando de ser uma aldeia autónoma e "orgulhosamente só" para passar a ser uma grande Freguesia suburbana. Inevitavelmente, o bares começaram também a aparecer em Valverde. Numa primeira era, os bares de Valverde eram quase exclusivamente frequentados por gente da terra. Pouco a pouco, amigos dos proprietários, vindos de outras paragens, começaram a vir beber uns copos e com estes cada vez mais gentes de outras localidades. Como não existe cá um posto da GNR, era mais fácil extravasar e soltar toda a loucura que havia em nós. Mesmo que alguém ligasse a fazer queixa, a GNR ou chegava tarde ou ainda acabava por ser gozada, afinal só seriam uns 3 contra muitos. Este sentimento de impunidade acabou por levar a que não houvesse qualquer pudor em fumar o porrito em locais anteriormente "vedados". É tudo uma questão de "vergonha" como diz o Tito. Basta um, que até nem é de cá e se "tá a cagar", acender um ali mesmo para que não tarda e é imitado por um rebanho deles. Todos nós passamos a fase de esticar a corda. Não é uma sensação boa?
Há quem cresça tardiamente...
Mas voltando a cadeia de ideias, o tempo foi passando e foi dando azo a abusos.
Claro que a imagem que foi passando para fora foi a da impunidade, de onde podemos beber uns copos valentes, fumar uns porros sem necessidade de ir para o alto da serra, mesmo ali, que depois até damos umas aceleradelas lá nas rectas ou vamos sacar, tudo na buínha.
Pois meus amigos, eu acho que no fundo, se as coisas se tornaram no que são, se há gente que vai ali só para isso como se aquilo fosse um bairro de dealers da capital, se essas pessoas o fazem, meus amigos, grande parte da culpa É NOSSA!
É nossa na medida em que fomos permitindo que as coisas chegassem a esse ponto e continuamos a olhar para o lado ignorando, fingindo que o problema não é nosso. Afinal, alimentamos esta imagem tanto tempo que agora somos vítimas do nosso próprio sucesso. Mas o problema é nosso e bem nosso, a não ser que pretendam em breve ir viver para sempre para outro lado e levar toda a vossa família.
Viver numa área suburbana tem vantagens e desvantagens e temos de aprender a viver e lidar com ambas. Temos de pensar muito bem em se estamos dispostos a ignorar a parte menos agradável a pagar ou se pudemos, puro e simplesmente, evitar essa parte da factura. Pensem só no seguinte, nos subúrbios das grandes cidades francesas, toda a gente olha para o lado há décadas. Viram o resultado?
Não quero viver num freguesia suburbana como é Valverde em que terei medo de sair para tomar café porque é frequentada por gente em quem não posso confiar.
Repito que este não é um discurso xenófobo ou contra quem nos vem visitar porque quem vem por bem é sempre bem-vindo. Aliás, os mete-nojo devem ter rosto e nome e não deve ser necessário fazer uma caça às bruxas para os identificar.
Repito também que a culpa é todos nós por ter permitido que as coisas tomassem as proporções que tomaram. Comparo a actual aura de Valverde aquele que ostentou a então "Aldeia do Carvalho" no final dos anos 80. Quem queria um porro ia até lá porque, supostamente, era onde estavam os dealers. Não acredito que fosse bem assim mas de certeza que essa fama foi o produto de dois ou três idiotas que se esmeraram no marketing.
Pessoalmente, estou no limiar da tolerância a esses visitantes demasiado frequentes e acho que todos aqueles que ainda gostam um pouco da nossa "União Soviética" devem tomar atitudes antes que seja tarde.
Aquele abraço
Começar um texto com uma interrogação não faz muito o meu género, mas foi essa emblemática pergunta que retenho do Post do nosso amigo Tito.
Mas que raio mudou e transformou assim este nosso anteriormente pacato burgo?
Seria pretensioso da minha parte julgar-me capaz de responder a essa pergunta pertinente.
Acho, no entanto, urgente ser-mos capaz de, pelo menos, identificar a mudança e saber lidar com ela.
Não terei sido a melhor testemunha das mudanças da última década, pois por motivos profissionais estive afastado a quase totalidade desses anos mas vou tentar aqui dissecar aquilo que, imagino, mudou realmente.
O nosso Tito expôs, e em boa hora, a sua preocupação e desagrado pela presença desses estranhos que buscam as nossas ruas escuras como se de bairros de junkies se tratassem.
É verdade que esses estranhos que nem dos carros saem não vêm em nada ajudar a limpar as nossas nódoas, muito pelo contrário. Mas disso já falei e o Tito também.

É claro que a solução do desprezo é sempre uma opção a considerar mas todos sabemos que não irá evitar o regresso dos mesmos e o agravar futuro das nódoas.
Como não existe um Tide ou um Skip eficaz para estas coisas, o melhor a fazer é mesmo tentar perceber o que os leva a frequentar as nossas ruas e tentar encontrar uma solução para o problema.
Então mas o que mudou afinal?
Espero não correr o risco de más interpretações ao falar no estranhos e dar a ideia inicial que os nossos males vêm de gente de fora ou que as nossas nódoas foram criadas por esses mesmos estranhos. É claro que prezo o novo cosmopolitismo de Valverde, acho-lhe piada até e, como diz o Joãozinho, Valverde é bem capaz de estar na moda.
Pena é que talvez o esteja pelas razões erradas.
Esperando não ser mal interpretado, vou tentar expor na forma mais simples e resumida a minha cadeia de pensamentos sobre o assunto.
Há 10 anos, ou um pouco mais até, Valverde era de facto uma aldeia. Toda a gente se conhecia, as pessoas eram de facto identificadas pela sua alcunha ou local de residência. Valverde, pela proximidade do Fundão, vivia bastante recolhida sobre si própria, as pessoas eram bastante impermeáveis a tudo o que vinha de fora, quer fossem pessoas, quer fossem maneirismos ou modas. Eram conhecidos pela região como "Os Soviéticos" pela sua frontal adopção da "esquerda" do espectro político e, mais tarde, transformando a alcunha num sinónimo de arruaceiros que viviam no claustro intransponível que era a nossa Freguesia.
De facto, raras eram as pessoas que frequentavam outras aldeias ou mesmo o Fundão e o normal era, até, os Valverdenses casarem com Valverdenses.
Não sei se foi a democratização do automóvel que, gradualmente, veio mudar estes hábitos, mas o certo é que em menos de uma década, estes hábitos sofreram uma grande mudança. A juventude de Valverde começou a frequentar outras localidades e, acima de tudo, os bares e discotecas do Fundão, Covilhã e Castelo Branco. Em Valverde só existiam tascas onde as raparigas raramente punham os pés, em contrapartida, começavam a nascer bares nessas cidades como cogumelos. A escolha era clara. Paralelamente, as cidades começavam a crescer, atraindo cada vez mais pessoas das aldeias distantes.
Assim, Valverde foi ficando cada vez mais próximo do Fundão, deixando de ser uma aldeia autónoma e "orgulhosamente só" para passar a ser uma grande Freguesia suburbana. Inevitavelmente, o bares começaram também a aparecer em Valverde. Numa primeira era, os bares de Valverde eram quase exclusivamente frequentados por gente da terra. Pouco a pouco, amigos dos proprietários, vindos de outras paragens, começaram a vir beber uns copos e com estes cada vez mais gentes de outras localidades. Como não existe cá um posto da GNR, era mais fácil extravasar e soltar toda a loucura que havia em nós. Mesmo que alguém ligasse a fazer queixa, a GNR ou chegava tarde ou ainda acabava por ser gozada, afinal só seriam uns 3 contra muitos. Este sentimento de impunidade acabou por levar a que não houvesse qualquer pudor em fumar o porrito em locais anteriormente "vedados". É tudo uma questão de "vergonha" como diz o Tito. Basta um, que até nem é de cá e se "tá a cagar", acender um ali mesmo para que não tarda e é imitado por um rebanho deles. Todos nós passamos a fase de esticar a corda. Não é uma sensação boa?
Há quem cresça tardiamente...
Mas voltando a cadeia de ideias, o tempo foi passando e foi dando azo a abusos.
Claro que a imagem que foi passando para fora foi a da impunidade, de onde podemos beber uns copos valentes, fumar uns porros sem necessidade de ir para o alto da serra, mesmo ali, que depois até damos umas aceleradelas lá nas rectas ou vamos sacar, tudo na buínha.
Pois meus amigos, eu acho que no fundo, se as coisas se tornaram no que são, se há gente que vai ali só para isso como se aquilo fosse um bairro de dealers da capital, se essas pessoas o fazem, meus amigos, grande parte da culpa É NOSSA!
É nossa na medida em que fomos permitindo que as coisas chegassem a esse ponto e continuamos a olhar para o lado ignorando, fingindo que o problema não é nosso. Afinal, alimentamos esta imagem tanto tempo que agora somos vítimas do nosso próprio sucesso. Mas o problema é nosso e bem nosso, a não ser que pretendam em breve ir viver para sempre para outro lado e levar toda a vossa família.
Viver numa área suburbana tem vantagens e desvantagens e temos de aprender a viver e lidar com ambas. Temos de pensar muito bem em se estamos dispostos a ignorar a parte menos agradável a pagar ou se pudemos, puro e simplesmente, evitar essa parte da factura. Pensem só no seguinte, nos subúrbios das grandes cidades francesas, toda a gente olha para o lado há décadas. Viram o resultado?
Não quero viver num freguesia suburbana como é Valverde em que terei medo de sair para tomar café porque é frequentada por gente em quem não posso confiar.
Repito que este não é um discurso xenófobo ou contra quem nos vem visitar porque quem vem por bem é sempre bem-vindo. Aliás, os mete-nojo devem ter rosto e nome e não deve ser necessário fazer uma caça às bruxas para os identificar.
Repito também que a culpa é todos nós por ter permitido que as coisas tomassem as proporções que tomaram. Comparo a actual aura de Valverde aquele que ostentou a então "Aldeia do Carvalho" no final dos anos 80. Quem queria um porro ia até lá porque, supostamente, era onde estavam os dealers. Não acredito que fosse bem assim mas de certeza que essa fama foi o produto de dois ou três idiotas que se esmeraram no marketing.
Pessoalmente, estou no limiar da tolerância a esses visitantes demasiado frequentes e acho que todos aqueles que ainda gostam um pouco da nossa "União Soviética" devem tomar atitudes antes que seja tarde.
Aquele abraço
segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
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